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Wednesday, January 18, 2012

- O que muda na paisagem?

Bom, cresci indo ao cinema e adorando filmes. E agora a cultura que vivemos não é cinematográfica, na verdade. Não é uma cultura de gente que espera o próximo filme do Truffaut ou do Bergman. Esse fenômeno não existe mais. Não há mais os filmes do Fellini. A maior parte das caras que controlam a indústria é bem triste. Alguns diretores muito bons emergem, mas têm de lutar e batalhar. Mas não há aquela sensação de todo mundo ir ao cinema de arte e no dia seguinte ficar falando do filme. E praticamente todos os heróis da minha juventudade já morreram. O Truffaut foi embora. O Bergman ainda está aí, mas está velhinho. O Buñuel e o Kurosawa foram embora. O Fellini foi embora e o De Sica foi embora. Houve um tempo em que você queria trabalhar e conseguir a aprovação deles, ser um deles. Essa era a fantasia.

A mesma coisa no teatro. O Arthur Miller se foi, o Tennessee Williams se foi, todo esse fenômeno teatral se foi. Houve tempo em que eu queria trabalhar no teatro e ser um desses dramaturgos, mas não existe mais uma paisagem de que se possa fazer parte. Os bons dramaturgos não funcionam na mesma arena. A estrutura da apresentação deles é diferente. Estão em alguma casa off-Broadway, e se tiverem sorte, e se a peça for um sucesso, levam para a Broadway. E não acontece mais de no dia seguinte a cidade inteira estar falando disso, e ser um espetáculo obrigatório, interessante e afetar as pessoas. A mesma coisa no cinema.

As gerações mais novas não são tão chegadas a cinema, não são letradas em cinema, nem conhecem os grandes filmes, a ideia que fazem do que são os filmes bons mudou. Não estou fazendo nenhum juízo de valor; apenas é diferente da minha. O cinema de que eles gostam não me interessa. Não estou dizendo que não existam filmes bons todo ano, existem - mas fazem centenas de filmes, e uns dois ou três filmes americanos bons se esgueiram pelo meio, em geral de gente independente, mas no mais das vezes são filmes europeus ou estrangeiros - podem ser iranianos, chineses, mexicanos agora - que são interessantes. E só você assiste. Telefono para a Keaton em Los Angeles e digo: "Você viu isso?". E ela diz que não foi lançado lá, ou que não sabe onde está passando.

- Você tem sua própria sala de projeção, mas vai ao cinema para fazer parte da multidão e vivenciar o filme junto com ela?

Não vou muito ao cinema. Isso costumava ser parte da alegria que eu tinha, ir ao cinema. Todo o ritual era divertido para mim. Gostava de olhar as garotas bonitas, e de olhar os caras, de ouvir as conversas, a expectativa aumentando, e então o filme. E depois, se você adorava, mal podia esperar voltar para casa e contar para os amigos. Mas esse fenômeno não existe mais; hoje existe uma dinâmica social diferente. As pessoas alugam vídeos; elas vivenciam o material de um jeito diferente. Isso não me interessa tanto.

Conversas com Woody Allen, de Eric Lax.

Sunday, January 15, 2012

Boardwalk Empire




Nada mais apropriado para comemorar o início da lei seca do que uma grande festa regada à champanhe e whisky, afinal, era uma grande oportunidade para os empreendedores estadunidenses (imigrantes, claro, pois trata-se de uma nação formada por imigrantes, visto que os nativos já tinham sido reduzidos a pó pelos corajosos soldados confederados). Assim começa o seriado da HBO produzido pelo Scorcese (que também dirige o piloto, o que serve como boa aula para futuros diretores verem a diferença entre um bom diretor e um diretor eficiente) e criado por Terence Winter (que escreveu vários episódios da série Sopranos).

Além da produção de alto nível, comum nos seriados da HBO, Boardwalk Empire destaca-se pela tentativa (não totalmente bem sucedida) de criar uma história complexa e personagens com certa profundidade, e pela atuação dos coadjuvantes (pois o Buscemi dá um show, como esperado). Retratando o batido período da lei seca nos Estados Unidos, Winter consegue criar uma história de gangsteres que passa (de forma rasteira) por diversos temas como raça, gênero, religião, política, e claro, com muita violência e sexo (apesar de que há uma tendência desagradável de diminuição das cenas de sexo – que no final da segunda temporada quase desaparecem – e aumento das cenas de violência – que também voltam a diminuir no final, talvez numa tentativa de tornar o seriado mais condizente com a caretice estadunidense). Usa também figuras legendárias do período de forma livre e criativa, brincando de forma inteligente com suas histórias e personalidades.

A tentativa de complexidade, também presente em referências diversas sobre acontecimentos importantes do período (algumas forçadas, mas ninguém espera precisão histórica de um seriado de gangsteres), falha em alguns momentos devido as próprias limitações do formato. Muito seriados sofrem desse problema, tentam dar profundidade aos personagens e ao mesmo tempo apresentar personagens variados e em grande número, deixando muito pouco tempo para trabalhar esta profundidade proposta e usando saltos que nem sempre ficam suficientemente amarrados na narrativa. Em alguns momentos a continuidade falha, em outros a caracterização de época vai para o espaço – principalmente em termos de costumes e comportamentos (também ideias) -, e vez ou outra usa-se o personagem coringa, aquele que vai e volta na história sem definir-se sua posição.

No final temos uma certa luta moral (talvez católica, mas não fica muito claro) que parece dar o tom para a terceira temporada (mas vai saber, afinal cada episódio é escrito por uma pessoa diferente, dirigido por uma pessoa diferente, editado por uma pessoa diferente e até atores diferentes – o filho da personagem principal não apenas é feito por outro ator a partir de certo ponto, mas também fica mais velho e passa a ser parte de história). No geral, é divertido, o Buscemi vale o ingresso (ou o tempo do download) e como o cinema morreu mesmo, talvez assistir a seriados bem feitos seja o que nos resta (pois video do youtube é demais).

Assista no Vuze.

Ps.: qualquer semelhança com nossos políticos é mera coincidência.


Saturday, January 14, 2012

Lista dos melhores filmes de todos os tempos


Det sjunde inseglet (1957)


Director: 

Ingmar Bergman


Rashômon (1950)


Director: 

Akira Kurosawa


Ladri di biciclette (1948)


Director: 

Vittorio De Sica


La grande illusion (1937)


Director: 

Jean Renoir


La règle du jeu (1939)


Director: 

Jean Renoir


Smultronstället (1957)


Director: 

Ingmar Bergman


8½ (1963)


Director: 

Federico Fellini


Amarcord (1973)


Director: 

Federico Fellini


Kumonosu-jô (1957)


Director: 

Akira Kurosawa


Viskningar och rop (1972)


Director: 

Ingmar Bergman


La strada (1954)


Director: 

Federico Fellini


Les quatre cents coups (1959)


Director: 

François Truffaut


À bout de souffle (1960)


Director: 

Jean-Luc Godard


Shichinin no samurai (1954)


Director: 

Akira Kurosawa


'Sciuscià' (Ragazzi) (1946)


Director: 

Vittorio De Sica



"Quando acordo durante a noite, para aplacar o meu pânico existencial, faço listas mentais. Isso às vezes me ajuda a voltar a dormir. Quase sempre as listas são de filmes - acrescento ou subtraio títulos, substituo. Meus gostos não me parecem nada excepcionais, a não ser na área das comédias de enredo faladas, na qual pareço ter pouca tolerância para qualquer coisa, certamente não para os meus próprios filmes."

Retirado de "Conversas com Woody Allen", Eric Lax.